quarta-feira, 8 de agosto de 2012

ASPRAC ENVIA REPRESENTANTE PARA PARTICIPAR DE AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE DESMILITARIZAÇÃO DAS POLÍCIAS, RELAIZADA NO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, EM BRASÍLIA


Nesta última sexta-feira 03 de agosto, estiveram reunidos Auditório Tancredo Neves em Brasília, Ministério da Justiça, uma comitiva do estado do Ceará dentre outras lideranças da categoria dos profissionais militares estaduais para participar da Audiência Pública sobre desmilitarização das polícias. A ASPRAC foi representada pelo SD PM José de Abreu.
A programação do evento foi organizada em duas mesas sendo primeira pela manhãformada pelos senhores Benedito Mariano e Luiz Eduardo Soares. A abertura do evento teve a palavra do Conselheiro Heder, representante da ANSPRA, que defendeu a urgência do tema e suscitou as privações pela qual o profissional militar estadual é constrangido diante dos superiores em um Código Penal arcaico. Salientou, ainda, que o tema tem a sua relevância para “além da desmilitarização”, onde se percebe a necessidade das corporações se instrumentalizarem juridicamente com “o ciclo completo de polícia” o que deverá atingir todo o modelo de polícia e segurança pública no Brasil. Bem como a maior conquista seria a humanização da legislação policial.
Os palestrantes da primeira mesa, Benedito Mariano (Sociólogo, Secretário Municipal de Segurança Pública de São Bernardo do Campo – SP) e o Professor Luiz Eduardo Soares (Antropólogo, Ex- Secretário Nacional de Segurança Pública, Ex- Secretário Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro) fizeram um retrospecto da evolução das polícias no Brasil, evidenciando o uso das polícias estaduais como instrumento de repressão e controle social. Benedito Mariano, em sua palestra salientou o uso da tortura até 1824, “refletindo assim a cultura do capitão do mato como símbolo de disciplina e controle no Brasil”, como elemento cultural da militarização do policiamento ostensivo existente já no Brasil colônia. Deixou claro a sua postura a favor da desmilitarização, com a “Desconstituição do artigo 144 da CF/88, garantindo o ciclo completo de polícia, permitindo assim uma carreira única entre as polícias com plano de cargos de carreira para ascensão e uma única porta de entrada.”Mariano, afirma, ainda, que “não é possível fazer uma gestão qualificada sem reformas na legislação e nas instituições.” E finalizou a necessidade da vontade política para execução das mudanças.
O Professor Luis Eduardo Soares, inicia o seu discurso com a finalização do professor Mariano, declarando/desabafando “da desesperança e desilusão construída ao longos dessas 9 anos de governo do PT  pelas dificuldades e derrotas na institucionalização de um sistema de segurança pública mais justo e comprometido com os Direitos Humanos”. Na sua fala destaca a importância dos profissionais da segurança pública na construção do sistema. Salienta que a base para uma nova segurança pública deve passar pelos direitos humanos dos profissionais e da sociedade, mas percebe que sem mudança da estrutura organizacional não há como realizar a implementação do plano, segundo o professor. Declara o Governo Federal de esquerda associado a mídia dissimulou a atenção da segurança pública para as operações da Polícia Federal com os crimes de Colarinho Branco, postergando as reformas necessárias. Cita diversos casos de sucesso no Brasil, quando a decisão política é favorável. Aponta que parte do problema, além de histórico, há um “esvaziamento das responsabilidades da União e, conseqüentemente, do Governo Federal na CF/88, sendo apenas agente indutor de políticas estruturais e mediador de crises”. Bem como o descaso e grande incoerência na participação do município, que também é excluído na segurança pública, porque é esquecido no artigo 144 da CF/88.
O Professor Luis Eduardo Soares questionou a submissão das PMs ao Exército Brasileiro é incoerente com a missão policial e reforça a capacidade dos profissionais da ponta de avaliar suas decisões, de diagnostica e dialogar com a própria comunidade. E justifica que grande número de greves revela uma profunda insatisfação desses profissionais e inadequação da estrutura existente.
Segunda Mesa: Coronel Marlon e Novaki - SP
O Cel Marlon fez um retrospecto da evolução das polícias, destacando que policiamento é diferente de polícia militar, que é a polícia de varejo, e, portanto, não pode parar como as outras. Assim, ser militar é assumir algumas exigências não impostas a outros servidores como por exemplo risco permanente de vida, disposição a mobilidade geográfica, etc. Faz uma apresentação de várias polícias militarizadas no mundo como afirmação da eficiência do modelo e mostra a diversidade de sistemas policiais, unificadas ou segmentas, que coexistem nesses países. Conclui afirmando pela manutenção do modelo, mas declarando a necessidades de ajustes institucionais.
O Coronel Novacki – MS – iniciou a sua apresentação que não é possível falar da reestruturação do sistema policial como um todo pela sua complexidade. Dentre as quais, as barreiras institucionais às mudanças nas corporações policiais relacionadas a unificação. Bem como a necessidade de ajustar a vinculação de receitas (que já há em outras áreas como saúde e educação), o piso salarial, um controle externo eficiente com a participação do Ministério Público e ouvidorias com a participação popular.
Na sua apresentação o Cel. Novacki, defendeu a PEC102/11, como uma nova polícia para o Brasil, e tem as seguintes diretrizes:
·         Regime jurídico civil disciplinar e hierarquizado, considerado que a sociedade quer uma polícia cidadã, o palestrante duvida que os códigos rígidos da Polícia Militar não respondem a esse anseio da sociedade;
·         Regime permanente à justiça;
·         Subordinação ao Governo Estadual;
·         Ciclo completo de polícia;
·         Possibilidades de ascensão na carreira;
·         Regime presidenciário e próprio;
·         Independência e autonomia funcional.
E complementa com a necessidade de inserção das guardas municipais, aparticipação efetiva da União, vinculação de receitas á segurança pública e criação do fundo nacional para implementação do piso salarial – valorização profissional; e controle federal com respeito ao Pacto Federativo, e filiação partidária dos seus integrantes. Conclui que a proposta não está acabada ou que seja a melhor, “mas acredita ser um passo inicial e uma proposta concreta para iniciar a reestruturação.”
O Dr. Marcos Rolin, chama atenção para imaturidade do processo democrático e tradição de políticas públicas no Brasil, relacionando ao equívoco da Constituição de 1988, que colocou dentro da constituição o modelo de segurança pública em sua estrutura e funções. E declara que a proposta da PEC 102, pode ser comparado a uma plástica no Frankstein que está lá (modelo atual).E deixa claro o processo histórico das origens das polícias que surgiram para constituir um força permanente de defesa social.
Justifica os equívocos de comparar o modelo policial norte americano, que influenciou enormemente o Brasil, a partir da 2ª Guerra mundial, com a invenção da radio patrulha, denominando-a de “Polícia Estranha”, de atuação reativa, onde os profissionais desconhecem a população. Fato que gerou o distanciamento”e a criação de um pacto de silencio entre a população, que não confia na polícia para testemunhar nem denunciar os crimes”.
Salienta que não se pode comparar e simplesmente querer unificar as forças policiais pois eles tem origens distintas, onde a PM vem “das forças armadas (tanques de guerra, armamento pesado) e polícia civil (judiciária), influenciado pela cultura bacharelesca no Brasil, principalmente no campo do Direito”.
Afirma que a unificação das polícias é um equívoco e ameaça a democracia. Defende a necessidade de existência de várias polícias com foco essencial para a garantia da segurança social e jurídica, inclusive durante os momentos de greves. Defende, ainda a carreira única para inserir uma expectativa profissional ao servidor que entra na polícia, seja ela civil ou militar. O Professor Marcos responde a pergunta da plenária sobre uma síntese onde afirma: “Não é a soma da resolução dos problemas de cada corporação que resolvera o sistema, mas a resolução dos problemas estruturais que preveniram os vários problemas atuais.”


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